Mensagem: a responsabilidade é do emissor, sim.

Anos após estudar a Teoria da Comunicação e, muitas experiências (boas e ruins) de vida profissional e pessoal sobre o assunto, me foi colocada a questão: o entendimento da mensagem é responsabilidade de quem? Fui buscar na base e continuo cético de que a responsabilidade é, sim, do emissor. Não vou entrar aqui nos elementos teóricos de contexto, feedback etc.

Evoluímos tecnologicamente com o advento das tecnologias da informação e comunicação, como telefones, SMS, internet, e-mail, web, redes sociais, Apps, etc. e continuamos carentes de entender o básico. Assim, apesar da frase de que para “bom entendedor meia palavra basta”, se houve algum problema de entendimento no que foi dito, a responsabilidade do problema de comunicação começa sim, com a escolha das palavras usadas pelo emissor. Se o mesmo usou o código errado para formar sua mensagem, sim, a culpa é dele.

Somente após usar as palavras corretas é que podemos atribuir aos demais fatores, incluindo o canal, o contexto, ou mesmo a psiquê do receptor.

MARÍN, A. L.; GARCIA GALERA, C. e RUIZ SAN ROMÁN, J. A. (1999) – Sociología de la Comunicación. Madrid: Trotta.

Existem modelos lineares da comunicação e modelos circulares. Nos modelos lineares, a eficácia da comunicação é colocada toda sob a responsabilidade do emissor; nos modelos circulares, que contemplam o feedback, a eficácia da comunicação assenta na compreensão entre emissor e receptor, de que o emissor se deve assegurar (Marin et al., 1999: 75)

Luhmann, N., (2006) A improbabilidade da comunicação, Lisboa: Edições Vega

O problema da comunicação é decomposto por Luhmann em três improbabilidades. A primeira delas é a improbabilidade de “alguém compreenda o que o outro quer dizer” e é motivada pelo isolamento e a individualização da consciência de cada indivíduo, –  fruto da auto-referência do seu sistema psíquico – e depende do contexto (do meio) que por sua vez está circunstanciado pela memória de cada um (Luhmann, 2006: 42). A segunda improbabilidade consiste em aceder aos receptores. É relativa às contingências de tempo e espaço em que a comunicação é feita. Isto significa a manifestação da improbabilidade em comunicar junto de mais pessoas do que aquelas que estão presentes no mesmo espaço e tempo. Mesmo quando há reprodutores móveis que possam ampliar o número de interlocutores contactados, continua a verificar-se a improbabilidade, já que nesse caso, volta-se a deparar com a primeira das improbabilidades: a incompreensão sobre o que o outro quer comunicar.

 

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